O PROBLEMA DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA

consciência históricaGADAMER, Hans-Georg. O problema da consciência histórica. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2006.

Trata-se de cinco conferências, organizadas por Pierre Fruchon, sobre a consciência histórica e a hermenêutica. Apesar de ser um livro pequeno, com 71 páginas apenas, seu conteúdo é extremamente complexo e bem desenvolvido. Tentarei, daqui para frente, sintetizar as principais idéias de Gadamer, sem me preocupar em dar o mesmo espaço para todas as conferências – o que quero desenvolver são as linhas de raciocínio do conferencista.
Primeiramente Gadamer procura definer o que é a consciência histórica: “Entendemos por consciência histórica o privilégio do homem moderno de ter plena consciência da historicidade de todo presente e da relatividade de toda opinião” (p.17). Essa tomada de consciência repercute em todas as atividades do ser humano, principalmente nas atividades intelectuais – passamos, então, a refletir, ou seja, começamos a nos colocar no lugar do outro. E esse modo de reflexão, seguno Gadamer, pode ser chamado, também, de senso histórico, que ele define do seguinte modo: “Ter senso histórico é superar de modo consequente a ingenuidade natural que nos leva a julgar o passado pelas medidas supostamente evidentes de nossa vida atual, adotando a perspectiva de nossas instituições, de nossos valores e verdades adquiridos. Ter senso histórico significa pensar expressamente o horizonte histórico coextensivo à vida que vivemos e seguimos vivendo” (p.18).
Definido isso, o autor afirma que a consciência moderna assume uma posição reflexiva, portanto, com relação ao que lhe é transmitida pela tradição. “Esse comportamente reflexivo diante da tradição chama-se interpretação” (pp.18-19). E a primeira pressuposição dela é o “estranho” daquilo que se quer compreender. O que é imediatamente evidente não requer uma interpretação, segundo Gadamer. Somente aquilo que nos é estranho precisa ser interpretado, para ser compreendido. Retomando a idéia de que temos consciência histórica, diz o autor: “O diálogo que travamos com o passado nos coloca diante de uma situaçãofundamentalmente diferente da nossa – uma situação ‘estranha’, diríamos -, que consequentementeexige de nós um procedimento interpretativo” (pp.19-20).
Feito esse “mapeamento” da nossa consciência histórica, Gadamer trata das ciências naturais e humanas (ou históricas). Para ele, o modelo de ciência é o das exatas, que tarbalha com regularidades empíricas. Esse modelo teria sido transposto às ciências humanas quando elas começaram a surgir. Muitos problemas são detectados pelo autor, por causa dessa adptação às ciências exatas. O mais significativo é exatamente o de ver a regularidade. Ela não existe na história. Cada evento deve ser tratado como um evento único. Gadamer começa, então, a diferenciar as exatas das humanas. Trata de Aristóteles, Dilthey, Heidegger, Kant, enfim, autores que tratam da hermenêutica, ou da interpretação científica. “Com efeito, o problema posto pela hermenêutica pode ser definido pela seguinte questão: que sentido se deve dar ao fato de que uma única e mesma mensagem transmitida pela tradição seja, não obstante, apreendida sempre de maneira diferente, isto é, em relação à situação histórica concreta daquele que a recebe?” (p.47).
Não pretendi, neste breve comentário, tratar de todo o livro. Apenas as idéias que me pareceram mais relevantes foram postas e, mesmo assim, sem a discussão necessária que elas mereceriam ter. Meu objetivo foi apenas de trazer ao leitor o conhecimento desse livro, riquíssimo.

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